quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Será a ambição o motor do Ego?

 Em latim Ego designa a ideia do Eu, portanto a identidade... A forma como Eu me vejo perante no mundo no qual me insiro. Socialmente a existência do Eu é essencial pois confere sentido espacial e temporal.


Com o que me identifico e não identifico o que quero e não quero, o que estou disposto ou não a fazer... Onde estou e para onde vou, a nossa identidade é também o ponto de partida para haver um propósito, pois sem identidade não há onde começar...

Portanto o Ego é estruturante para a vida individual e social. É o que nos define perante nós mesmos e perante os que nos rodeiam. 

Onde se situa a ambição nesta realidade?

A ambição manifesta um destino, uma direcção. Esta acontece quando o Ego assume uma conquista, seja ela material ou imaterial. A ambição é a manifestação do desejo do Ego em adquirir algo em falta, em saciar uma carência, mesmo que a ambição se fixe na eliminação de uma qualidade... 

Como pode a ambição revelar uma insatisfação, uma carência?

O indivíduo que tudo tem, nada precisa... Aquele que tudo fez, nada precisa fazer...

Será a ambição um sinal de doença? Não forçosamente. Se a ética supervisionar o Ego, não há qualquer problema, pois a ambição não irá corromper as Verdadeiras necessidades da Alma.

Será então a letargia um sinal de Ego domado e satisfeito?

A letargia ou apatia é também ambição, ambição de nada fazer... Quando há resistência em fazer algo, significa que o Ego nos pede para não fazer, pois ele nos pede para estarmos parados, inertes. Isto pode acontecer pelas mais diversas razões.


Quanto maior a ambição maior o Ego?

Creio que quanto maior a identificação com algo ou alguma coisa, maior a probabilidade de ambicionarmos algo. Por vezes a ambição mascara-se de apatia, capacidade de trabalho, obsessão pela estabilidade... Em qualquer uma das formas ela tende a ser maior quanto maior o Ego.


Se por outro lado o Ego estiver simplificado e reduzido à sua forma mais primária, não resta muito espaço à ambição...

Mas se não há grande identidade...

Bem se não há grande identidade isso pode acarretar num problema, sobretudo social. Quando as pessoas não nos conseguem definir, não nos compreendem... Quando não nos compreendem tendem a "cancelar-nos".

Já do ponto de vista individual isso pode ser bastante interessante. Quando o Ego se mantém singelo, havendo um sentimento de identidade menos forte, há naturalmente uma completude maior, porquê?

A identificação é discriminação, separação. Se sou uma coisa, não sou naturalmente outra. Se gosto do verão e do calor é porque desgosto do inverno e do frio...

Menor identidade, individual, convida a uma união progressivamente maior com tudo o resto. Se retirarmos as fronteiras de um país então ele une-se ao seu vizinho, se uma pessoa deixar de se identificar como um trabalhador afincado, ou um estudioso ou outra coisa qualquer, ele simplesmente É. Ele existe, Ele vive, Ele experiencia sem discriminar, sem discriminar as experiências que vive e sem as condicionar. Ao vivê-las de forma pura e sem intervir no que a vida lhe oferece, a experiência torna-se vívida e real, sem criar expectativas por não discriminar nem condicionar o que lhe acontece, não existe ilusão ou desilusão.

Mantendo o Ego no seu estado primário, a ambição na sua fase embrionária, o Eu vive livre do impulso do Ego, que pode condicionar a experiência da vida. Vivendo sem o condicionamento do Ego, a entropia desaparece e aí, o crescimento torna-se, talvez, mais real.


A ambição não é má nem boa, é fruto do Ego.

O Ego não é bom nem mau, é identidade.

A identidade não é boa nem má é discriminação.

A discriminação é simplesmente separação.

A separação é o oposto na união.

Apenas na união a experiência pode ser completa...

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Quando a Vida passar, o que resta?

Anseias pelo amanhã,
Sofres hoje 
e já foi ontem...

Esperas ansiosamente pelo amanhã 
Divertes-te brutalmente hoje
e já passou

Vai, vem, foi

A vida é um comboio em andamento...
A mente tende a fixar-se, ao fazer-se escapa-lhe o presente que é um instante passageiro 

Facilmente te fixas eternamente no que não existe e aprendes a viver de um mundo imaginário 

Podes também viver na segurança da memória que nada te trás de novo...

É difícil abrir e apenas sentir o momento, mas não será esse o desafio?

Quando a vida passar, o que vai restar?

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A Vida tem Arte?

Sobre a arte de viver...

Devia existir um livro que nos ensinasse a tirar melhor partido da vida

A sociedade devia estar montada para levar o ser humano à felicidade plena

Deviamos estar cientes do que fazer e não nos deixarmos iludir por prazeres supérfluos que ao invés de nos levarem a tal felicidade, nos afastam dela

A vida devia ser... só que não é

Por mais que queiramos ela não obedece às nossas leis, desejos, lógicas...

Compreender isto é preparar o terreno para iniciar a caminhada de toda uma vida. Uma caminhada que nos liberta da ilusão e, por isso, do sofrimento, e que nos aproxima, progressivamente, da felicidade suprema

Importante saber que os nossos "quereres" são um grande obstáculo ao normal acontecimento das coisas. Eles geram expectativa que raramente é cumprida e por isso perpetuam um estado de desilusão, decepção e por isso mau-estar.

Eliminar o desejo, fruir no acontecimento natural das coisas é o caminho!

Tomar consciência da beleza presente nos pequenos acontecimentos, contemplar os movimentos subtis que nos propõem aprendizagens constantes e vivências únicas e, sobretudo, irrepetiveis.

Viver no presente é, simplesmente viver... E viver simplesmente é a fórmula da felicidade plena

Não desistas da Vida, não desistas de ti!

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Aproveita a viagem

És capaz de estar consciente da eternidade que nos distrai na sua mudança constante de aparência?

Consegues pôr os teus sentidos de lado e observar a Realidade?

Consegues viver em simbiose e, assim finalmente, completo ou precisas de te separar para viveres a ilusão da tua identidade?

Esta é uma viagem longa, com caminhos tortuosos, em que precisas de observar, aguardar e confiar. Com o tempo o caminho começa a tornar-se mais fácil, não porque deixas de encontrar trilhos difíceis, mas sim porque ganhaste resistência, porque aprendeste a apreciar a dificuldade e a reconhecer o que chega depois disso.

Aproveita a viagemq

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

E se, ao invés, o Humano for a espécie mais subdesenvolvida do planeta?

Imaginemos que afinal não somos os mais inteligentes e desenvolvidos mas sim os menos, de todo o planeta.

Imaginemos que o ser humano tem, afinal, uma visão curta o significado da sua vida e do seu propósito 
Imaginemos que o ser humano, por desconhecimento, passa a vida numa busca obsessiva de criar o já criado, mas pelas suas mãos, como se isso o elevasse a um estado superior
Imaginemos, que no processo, ele destrói tudo à sua volta pois nada interessa mais, do que provar a si mesmo a sua capacidade de reinventar ou, copiar o já existente no ambiente natural.
Imaginemos que, por meio dessa destruição, ele impacta o seu habitat e prejudica a sua própria vida por perda de condições ambientais
Imaginemos que enquanto espécie o Humano cede ao individualismo e pretende dominar todos os restantes, mantendo o seu espírito destrutivo se assim tiver de ser.
Equanto isso, todas as restantes espécies do planeta servem o seu propósito.
Todas elas nascem e morrem fazendo precisamente o que é suposto.
Todas elas têm um papel que aceitam e seguem fielmente como um actor faz com o seu guião.
Com isto as espécies perduram e mantêm-se não só a elas como também às outras que facilmente poderiam ser consideradas, pelos Humanos, como concorrentes.
Conseguem imaginar um planeta com uma espécie distópica que, não entendendo o mecanismo do mesmo, o agride permanentemente até à exaustão. 
Uma espécie que tudo o que não entende, ataca, destrói? 

Uma espécie que, como dizia o nosso grande sábio político "raramente se engana e tem sempre razão"; que se acha dona da razão (desconhecendo que esta é altamente limitada) e todos as restantes espécies são inferiores e estão erradas (mesmo aquelas que permitem a nossa sobrevivência; uma espécie que se identifica como um Deus e salvador mas que aniquila tudo o que a rodeia; uma espécie que, embora efémera no tempo, se acha no direito de apropriar território e dirigi-lo a seu belo prazer... 

Conseguem imaginar o final desta história imaginária?
Seria muito triste se isto fosse verdade...

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

A ignorância favorece a felicidade

A Ignorância favorece a felicidade e apenas a sabedoria pode trazer a quietude

As crianças são facilmente felizes pois ignoram o mundo complexo e incoerente que as rodeia.

Mas à medida que vão crescendo e aprendendo, a felicidade vai escapando até que, mais tarde,  torna-se num bem precioso quando antes era tão banal.

Alguns, com o avançar da idade, vão cultivando a sabedoria e entendendo que neste mundo recheado de injustiças, lutas de poder e sofrimento desnecessário, tudo faz parte da natureza humana mesmo que esta, seja autodestrutiva. 

A sapiência ajuda-nos a transcender esta realidade e perceber que é também com esta dimensão que transcendemos, que crescemos, que conhecemos a nossa realidade mais profunda e que a podemos transformar. 

Ao fazê-lo, alteramos a nossa percepção do mundo e passamos a ver o que antes não víamos, as pequenas flores silvestres, os polinizadores a contribuirem para a disseminação do reino vegetal, o casal idoso de mão dada no banco de jardim a admirar a vida e o amor partilhado, o milagre do sol que anima tudo o que nos rodeia...

Com a sapiência em expansão, entendemos o quão efémeros somos e o bom que isso representa. 

Pois é efémera a nossa vida mas também o mal produzido por tantos. 

É efémera a felicidade, a beleza e a vida, mas também a tristeza, o ódio, o sofrimento e a morte. 

Tudo se sucede para manter algo de interminável, o ciclo da vida em que todos entramos nascendo e, inevitavelmente, morremos não fosse isso necessário para gerar vida novamente, mantendo assim o ciclo interminável...

#reflexões #pensamentos #alquimiainterna

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Acesso ao presente

Para viver o presente
É necessário Estar

Para se Estar
É necessario apaziguar a mente

Para apaziguar a mente
É importante desativar os sentidos

E para tal,
Devemos parar

A partir daqui, começa uma caminhada do Eu consciente e o início da descoberta daquilo que somos verdadeiramente.
A contemplação surge como manifestação natural do estado readquirido

Uma nova visão sobre aquilo a que chamamos realidade
Uma nova vivência do que nos envolve
Uma experiência única e mais profunda sobre as experiências vividas

Sobretudo, um maior aproveitamento da vida!
Curioso, que se torne tão difícil alcançar o que está mesmo à mão de semear...

terça-feira, 29 de julho de 2025

Compreendermo-nos, observando

Como o Mar, assim a mente...

O Mar é vasto, assim também é a mente

O Mar é tumultuoso, gera ondas sem cessar
A mente é ruidosa e produz pensamento sem parar

Na imensidão do Mar muito é oculto
A mente contém um enorme mistério por desvendar

As ondas do mar dificultam aquele que pretende refrescar-se tranquilamente nas águas cristalinas

O pensamento descontrolado da mente dificulta o ser de vivenciar a paz que a mente emana discretamente

Mas entre cada onda há apaziguamento
Entre cada pensamento há paz

Para quem vai para lá das ondas, descobre a imensidão do mar
Quem transcende o domínio do pensamento descontrolado descobre a quietude que nos abre a porta à vida

Tu, sempre tu, do princípio até ao fim...

Tu, sempre tu, do princípio até ao fim... Serás o teu maior desafio, deverás ser o teu maior bem-estar.

Deverás encontrar, em ti, felicidade suficiente, entusiasmo e vida.
 
Sim!

A vontade de viver e de construir vida tem de vir de ti, pois lembra-te

Tu, sempre tu, do princípio até ao fim...

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Sobre a Paz

Haverá algo melhor do que a paz interior?
Ao invés o poder vem acompanhado de ansiedade, vive da opressão sobre o outro e premia, o insistente, com uma fugaz sensação de conquista que desaparece assim que concluida. Aparentemente essa sensação prazerosa, embora fugaz, tem muitos adeptos que vivem como o burro atrás da cenoura.
Já a paz interna demora a ser encontrada, talvez por isso muitos duvidem da sua existência. Porém, os que são obstinados o suficiente, começam timidamente a senti-la à medida que a procuram. 
A sua chegada é suave como uma brisa de verão, requer atenção e presença. A leveza instala-se, o som da vida preenche o silêncio provocado pela quietude da mente.
A paz não é um conceito que procuramos, é antes um estado vivenciado e altamente contagiante.
A paz não discrimina ninguém, todos podem aceder a ela. 
A paz está lá, serenamente à espera que cada um a acolha e a viva.

Que a paz se torne viral, e que TU! sejas o ponto de partida.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Pratica o Silêncio

A felicidade é um estado de espírito 

A felicidade deriva da qualidade do pensamento

A qualidade do pensamento depende do estado da mente

O estado da mente é determinado pelo grau de presença 

A presença é determinada pela atenção/foco

A atenção é a varinha mágica da consciência 

A consciência é acedida no silêncio 

Se praticares o silêncio, a felicidade surgirá de dentro de ti!

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Tu!

Já te sentaste e te escutaste?
Já tiveste tempo para te sentir?
Para te ouvir?
Completamente despido, sem perfume nem arranjos... Só tu, o verdadeiro tu e não aquele que constrói diariamente para mostrar aos outros...
Será que ainda te lembras de quem és?
Será que não tens medo de te observar?
Não há razão para isso, pois nada há de mais puro do que tu, 
nada há de mais belo, quando todas as aparências desvaneceram
Assim também é a Natureza que contemplamos, das ervas daninhas às árvores centenárias, é o conjunto que fabrica tamanha beleza.
Da mesma forma, tu
completamente despido, exposto a ti mesmo
nada há de mais belo

Desafia-te e descobre-te,
não tenhas medo
O que irás encontrar é o teu próprio Éden do qual dificilmente vais querer voltar a sair

terça-feira, 22 de abril de 2025

O Vento

Hoje fizeste-me refletir sobre ti... Tantas vezes, senão todas, mal tratado és tão importante como todos os teus irmãos e irmãs. 

Dás e tiras, trazes e levas sem cessar.

Tanto estás dormente como activo, tanto ajudas como destróis.

Difícil é, de compreender o teu propósito. É também certo que é difícil caberes na minha pequena consciência, talvez seja essa a dificuldade...

O que é certo é que promoves a vida, a regeneração, a mudança, a renovação. Alguém tem de existir, que não tenha pena, que não deixe de fazer o que tem de ser feito e tu, tu és essa entidade. Que põe e dispõe sem pedir autorização a ninguém.

Ninguém te quer, ninguém te chama, mas tu apareces sempre que assim pretendes.

Às vezes, sim, aquela brisa prazerosa refrescante... Todos te dão valor, mas logo logo mudas o teu rumo, alteras o teu ritmo e dizes a toda a gente que não precisas do amor de ninguém, és livre, rebelde, provocador até.

Sim, tu Vento, és o maior sinal de liberdade, que não ouve ninguém, talvez nem a ti mesmo. E nesse espírito ensinas aos que te dão ouvidos, aos que te observam sem julgamento. 

Hoje, pela primeira vez, vi em ti a beleza que sempre tiveste, a grandeza que sempre mostraste e também elegancia que possuis.

Finalmente vi, o que sempre foi

domingo, 20 de abril de 2025

Saber quando activar a flexibilidade e aplicar a rigidez é uma arte

Por vezes há que ser flexível outras, devemos manter a nossa estrutura erecta perante tanto desafio...

Por alguma razão a expressão "manter espinha dorsal" está ligada ao carácter.

É interessante ver como duas dimensões, aparentemente tão distintas, partilham tanto em comum. Como o nosso espírito necessita de disciplina, também a coluna precisa de um sistema muscular forte. Por outro lado, o espírito é vivaz e precisa de mudar de acordo com as leis do universo como entidade livre que é, assim também é a coluna que precisa manter-se flexível para lidar com todos os desafios aos quais é submetida

Manter este equilíbrio é uma arte... Espero que a possas desenvolver

domingo, 23 de março de 2025

Reciprocidade

Não há forma de garantir que te tratem bem, mas se tratares bem os outros estás mais perto que isso te aconteça

sábado, 15 de fevereiro de 2025

O Tempo

Por mais coisas que tenhamos ao nosso dispor, nada é mais importante que o tempo, esse sim é o verdadeiro tesouro